Aptoide Connect
O sistema funcionava. Os developers é que não o viam funcionar. Eu resolvi a segunda parte.
Ao vivo — connect.aptoide.com ↗O dashboard redesenhado responde a uma pergunta antes de tudo: o que está a acontecer agora. Apps ao vivo, pendentes e bloqueadas — visíveis num relance.
Um APK. Vinte lojas. Zero visibilidade.
A Aptoide gere uma rede de lojas white-label para OEMs e operadores regionais. O Connect é a camada dos developers: uma submissão de APK chega a 20+ lojas parceiras, cada uma com o seu pipeline de aprovação, requisitos de metadados e filtros por país.
A economia é boa: até 90% de partilha de receita contra os 70% da Google Play. Quase ninguém a recebia, porque a interface nunca a mostrava. As apps pareciam presas quando não estavam. Os números de receita estavam certos e ninguém acreditava neles. A maioria dos developers desistia antes da primeira app ir ao ar.
"Submeti há três semanas. Ainda não sei se está ao vivo."
- As apps sentiam-se perdidas. Os developers descreviam submissões como "presas" ou "desaparecidas". Os estados usavam linguagem interna do sistema, sem tradução para quem está de fora.
- O analytics abria-se uma vez, nunca mais. Os dados estavam certos. Não davam direção, nem comparação, nem passo seguinte.
- As primeiras submissões raramente terminavam. Aquele ticket de suporte ali em cima tornou-se o brief de design.
Um princípio: o sistema deve explicar-se a si próprio.
Cada decisão passou pelo mesmo teste: isto torna o sistema mais fácil ou mais difícil de ler? Se um ecrã precisava de legenda para se perceber, chumbava.
Lançar primeiro, configurar depois.
O fluxo antigo exigia configuração completa antes de se poder submeter fosse o que fosse. Cortámos para um só objetivo: pôr a primeira app ao vivo. Tudo o resto passou para depois, onde pertence. A primeira submissão demora agora menos de 15 minutos.


Onde a complexidade atinge o pico.
A versão antiga punha tudo numa página. Os developers ou avançavam por instinto ou paravam.
- Dividida em três passos com âmbito próprio — upload, metadados, seleção de distribuição — cada um com estado final definido e validação inline.
- Seleção de lojas e países reconstruída como matriz visual com defaults inteligentes vindos de submissões anteriores.
- Ecrã pós-submissão explícito: canais pendentes, canais ao vivo, prazo estimado de revisão.

O estado pós-submissão elimina a incerteza do "será que funcionou?" que gerava a maioria dos tickets.
De códigos de estado a decisões.
A mesma ideia, aplicada aos três ecrãs onde os developers vivem depois do lançamento.
Uma tabela de 40 linhas de códigos passou a três estados — ao vivo, pendente, bloqueada — mais uma vista de "falhas" que lista cada canal em falta com uma razão acionável. A maior parte dos ganhos de cobertura veio de tornar visíveis problemas que já existiam.
Tabelas cruas substituídas por métricas ligadas a decisões, movimento direcional e insights automáticos ("Downloads na Alemanha subiram 34%"). O uso passou de 20% para 60% dos utilizadores ativos no primeiro trimestre.
90% de partilha de receita, mostrada onde importa — intervalos de ganhos nos momentos de distribuição, apresentados como estimativas, nunca garantias. Adesão subiu 28%, a mais alta desde o lançamento.

Analytics reconstruído à volta de decisões — downloads, vendas e movimento por país de uma app, numa só vista.
Receita por download vs. Google Play, sustentada durante 9 meses.
Receita por download através da rede de lojas parceiras.
Crescimento de receita só pela expansão da distribuição.
O problema não era a distribuição. Era os developers não verem o sistema a funcionar.
Seis meses após o lançamento.
O que este projeto me ensinou.
Os developers ou aceitavam as pré-seleções às cegas ou mudavam tudo. A lógica por trás de um default faz parte do design.
Assim que lhe chamámos um problema de legibilidade, todas as decisões ficaram mais fáceis de julgar.
Se os developers não acreditam nos dados, não agem sobre eles. A credibilidade tem de ser desenhada.
Balanço final: a plataforma já era capaz. O melhor trabalho aqui não acrescentou nada de novo. Tornou óbvio o que já existia.
